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Com Fernanda Montenegro ‘eleita’, esquenta corrida por vagas na ABL

Cinco posições que serão disputadas até o fim do ano na academia brasileira de letras; atriz é candidata única para a cadeira 17

Salgado Maranhão, Gilberto Gil, Paulo Niemeyer Foto: Divulgação
Salgado Maranhão, Gilberto Gil, Paulo Niemeyer Foto: Divulgação
O Globo
Mesmo que outros tentassem, não conseguiriam vencê-la. É assim que os imortais da Academia Brasileira de Letras têm explicado a candidatura única de Fernanda Montenegro, que está virtualmente eleita para a cadeira 17 da instituição (a eleição está marcada para o dia 4 de novembro). Confirmada ontem, a falta de concorrentes contra uma das maiores atrizes da História do país é um sinal de respeito à sua trajetória. Ter Fernanda entre seus quadros era um sonho antigo da ABL, e candidatar-se contra ela representaria uma derrota garantida.

— A Fernanda é a Fernanda, uma unanimidade nacional — diz o imortal Antonio Torres, primeiro-secretário da ABL. — A tendência, claro, é ela ser eleita, mas o processo eleitoral será mantido, mesmo sendo candidatura única.

Em agosto, ao confirmar sua intenção de ocupar a cadeira que foi de Affonso Arinos de Mello Franco, a própria Fernanda deixou bem claro que, apesar do favoritismo, não desejava pular nenhuma etapa do processo. Por meio de sua assessoria, a atriz de 91 anos declarou que “aguarda a eleição”. Sua assessoria ainda comentou: “Ela disse em 2018, na ocasião do lançamento de seu livro ‘Itinerário fotográfico’, que acordava e cantava. Assim segue Fernanda, com esperança ativa”.

A eleição do próximo dia 4 será a primeira desde o início da pandemia, que levou a instituição a suspender suas atividades presenciais por mais de um ano. Neste período, outras quatro cadeiras vagaram. Elas eram ocupadas por Alfredo Bosi (nº 12), Murilo Melo Filho (nº 20), Marco Maciel (nº 39) e Tarcísio Padilha (nº2). Outras eleições serão realizadas até o fim do ano para escolher os seus novos ocupantes.

Acreditava-se que o mesmo fenômeno de Fernanda se repetiria com Gilberto Gil, também favoritíssimo à cadeira 20. Mas o poeta Salgado Maranhão decidiu enfrentar o ex-ministro da Cultura e ícone tropicalista. O que se comenta nos bastidores é que Gil está praticamente eleito, mas seu concorrente é forte e terá uma votação honrosa. O nome de Salgado, aliás, já vinha sendo ventilado dentro da instituição há um bom tempo. Será uma disputa entre dois expoentes negros da cultura.

— Disputar com Gil foi uma dessas coincidências — diz Maranhão, cuja obra poética já foi objeto de estudo em diversas universidades americanas, e traduzida para o inglês, francês, sueco e até japonês. — Ele é muito respeitado, todos conhecem a sua história. Mas eu também tenho a minha caminhada. Como diz o provérbio mineiro: “eleição e mineração, só depois da apuração”.

Ficcionistas, só no futuro

Até pouco tempo, era tido como certo que uma das cinco vagas disponíveis ficaria com um ficcionista. Mas a inscrição de nomes fortes de outras áreas, como o jurista e escritor José Paulo Cavalcanti e o médico Paulo Niemeyer, mudaram o cenário. Biógrafo de Fernando Pessoa, Cavalcanti é o que, segundo fontes, tem mais chance de levar a cadeira 39, que também será disputada pelo romancista Godofredo de Oliveira Neto, o poeta Luiz Coronel e o linguista Ricardo Cavaliere. Já Niemeyer tem ampla vantagem e deve ser eleito para a cadeira 12, à frente do escritor de origem indígena Daniel Munduruku.

A última cadeira, a de número 2, tem como candidatos o economista Eduardo Gianetti, o advogado Sergio Bermudes, e o escritor e político Gabriel Chalita, que não tem a ficção como gênero preferencial em sua obra. Até o momento, não há favorito para esta cadeira.

Para a “ala literária” da ABL, a expectativa é que futuras eleições contemplem um ficcionista. Alguns nomes fortes, como Paulo Lins e Edney Silvestre, chegaram a cogitar uma candidatura este ano, mas adiaram o projeto. O também romancista Alberto Mussa indicou que pode concorrer no futuro. Vale lembrar que, de acordo com o estatuto da ABL, qualquer pessoa pode se candidatar a uma vaga, desde que seja brasileiro e tenha publicado obras de reconhecido mérito literário. A instituição, porém, reserva algumas vagas a personalidades de prestígio em outras áreas, como é o caso de Fernanda e Gil.

 

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