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Com 99% dos votos apurados, eleição segue indefinida no Peru

Pedro Castillo, do partido Perú Libre, continua à frente, com 50,206% dos votos válidos, enquanto Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, tem 49,794%.

Com 99,795% das urnas processadas e 98,338% delas contabilizadas na manhã desta quarta-feira (9), as eleições presidenciais no Peru continuam indefinidas após três dias de apuração. Pedro Castillo, do partido Peru Libre, continua à frente, com 50,206% dos votos válidos, enquanto Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, tem 49,794%, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol). A diferença é de apenas 0,412 ponto percentual (71.764 votos).

Na segunda-feira (7), Fujimori fez acusações de fraudes na eleição, mas observadores internacionais avalizaram processo eleitoral peruano. O Peru Libre rechaçou as acusações.

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A candidata da direita conservadora chegou a liderar a disputa no início da apuração, com os votos da capital Lima e das grandes cidades, mas foi ultrapassada pelo candidato da esquerda radical com os votos do interior.

A candidata Keiko Fujimori e sua família tomam café da manhã no distrito de San Juan de Lurigancho, antes da votação.. — Foto: Luka Gonzales/AFP

A candidata Keiko Fujimori e sua família tomam café da manhã no distrito de San Juan de Lurigancho, antes da votação. — Foto: AFP

No dia da eleição, ambos os candidatos haviam se comprometido a aceitar o resultado das urnas. É a terceira disputa presidencial de Keiko, que na eleição de 2016 perdeu para o banqueiro Pedro Paulo Kuczynski por 50,12% a 49,88% e não reconheceu a derrota.

Os candidatos

Com projetos antagônicos, os candidatos chegaram ao segundo turno praticamente empatados nas pesquisas. Quem vencer tomará posse em 28 de julho, dia em que o Peru comemora o bicentenário de sua independência, e assumirá um país que atravessa grave crise política e sanitária.

O candidato do Partido Perú Libre à presidência, Pedro Castillo, durante o debate de 30 de maio — Foto: Sebastian Castañeda/Pool via Reuters

O candidato do Partido Peru Libre à presidência, Pedro Castillo, durante o debate de 30 de maio — Foto: Reuters

Castillo é professor de escola rural e tem forte apoio nas áreas rurais do “Peru profundo”. O líder sindical liderou a disputa no primeiro turno, mas caiu nas pesquisas de opinião com o temor de peruanos que o país se transforme “em uma nova Venezuela”, devido a suas posições extremas.

Castillo chegou a prometer no início da campanha desativar o Tribunal Constitucional e dizia que a Suprema Corte do país defendia a “grande corrupção”. Ele também ameaçou fechar o Congresso se os parlamentares não aceitarem seus planos.

Ao longo da corrida presidencial, Castillo mudou um pouco o tom e prometeu seguir a Constituição “enquanto ela estiver em vigor”, mas disse que buscará uma nova Constituinte caso seja eleito.

Ele se tornou nacionalmente conhecido em 2017, após liderar uma greve de professores de quase três meses por aumento dos salários — uma das bandeiras que ele manteve ao longo da campanha.

Keiko Fujimori é filha de Alberto Fujimori, ex-presidente autoritário do Peru que governou o país na década de 90 e está preso. Ela também chegou há ficar vários meses detida, acusada de corrupção na Lava Jato, escândalo que atingiu políticos de praticamente todos os partidos do país.

A herdeira política do fujimorismo entrou na política há 15 anos, com a missão de reconstruir praticamente das cinzas o movimento político de direita fundado por seu pai, e tenta ser eleita a primeira presidente do Peru.

Na campanha, ela tentou se colocar como representante da democracia e prometeu respeito à Constituição, mas o sobrenome Fujimori faz com que ela tenha muita rejeição — sobretudo por ainda elogiar o pai.

A candidata do partido Força Popular também priorizou o discurso de moralização na política e de combate ao crime, mesmo envolvida em escândalos de corrupção e tendo sido presa.

 

Fonte G1.

Redação Gdsnews.

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