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Oposição a Maduro denuncia cerco à Assembleia Nacional da Venezuela

Imagens e vídeos divulgados pelos funcionários mostram diversos membros da guarda fazendo um cordão ao redor do prédio legislativo

Deputados venezuelanos denunciaram um cerco da Guarda Nacional Bolivariana ao prédio da Assembleia Nacional, no dia em que seria feita uma sessão para discutir o indiciamento de legisladores por uma insurreição militar fracassada contra o presidente Nicolás Maduro. Segundo o subsecretário da assembleia, Roberto Campos, 15 funcionários da Sebin – o serviço de inteligência venezuelano – entraram no edifício devido à presença de um suposto artefato explosivo enquanto os funcionários eram impedidos de entrar pela guarda.

Imagens e vídeos divulgados pelos funcionários mostram diversos membros da guarda fazendo um cordão ao redor do prédio legislativo. O cerco teria começado por volta das 7h (8h de Brasília) e continua até o momento. Os deputados dizem que a suspeita de explosivo é uma desculpa para impedir o acesso ao edifício e chamam a atitude de “sequestro”. De acordo com a oposição, a Sebin teria ocupado todo o prédio, incluindo o gabinete do presidente da assembleia, Juan Guaidó, e foram arrombadas gavetas da presidência e vice.

A deputada de oposição Manuela Bolívar denunciou o incidente como “uma intimidação” em meio à disputa entre Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, e Maduro. Em 7 de maio, a Assembleia Constituinte tirou a imunidade de dez parlamentares, depois que a Suprema Corte de Justiça os acusou de apoiar a revolta de um pequeno grupo de militares contra Maduro. A rebelião foi liderada por Guaidó e Leopoldo López, libertado da prisão domiciliar pelos insurgentes e que mais tarde se refugiou na residência do embaixador da Espanha. Em uma operação incomum que incluiu o uso de um caminhão de reboque para rebocar seu carro, na quarta-feira passada Egdar Zambrano, vice-presidente do Parlamento, foi preso e levado a Fuerte Tiuna, o principal complexo militar da capital venezuelana. Três outros parlamentares se refugiaram nas residências dos embaixadores da Itália e da Argentina e um outro fugiu para a Colômbia. Na prática, a Assembleia Constituinte, que governa o país com poderes absolutos, assumiu as funções parlamentares, depois que a mais alta corte de justiça declarou o Legislativo em “desacato”. Esta não é a primeira vez que a Guarda Nacional impede o acesso à assembleia este ano. Em 5 de janeiro, dia da votação de Juan Guaidó para presidente da casa, já houve um cerco. O segundo foi em 30 de abril, após o líder opositor Leopoldo López e Juan Guaidó pedirem apoio aos militares para derrubar Nicolás Maduro. Pelo Twitter, deputados do partido Unidad Venezuelana afirmaram que a sessão (que costuma começar às 10h) deve acontecer mesmo sem o acesso ao prédio.

Fonte UOL Notícias

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