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‘Morreria sufocada se não fizesse essa peça’, diz Miá Mello, que estreia ‘Mãe fora da caixa’

'Vivo, respiro e falo disso o tempo inteiro', afirma a atriz, que pretende desdobrar o espetáculo em outros projetos, como aconteceu em 'Meu passado me condena', com terceira sequência prevista nos cinemas

Quando o assunto é maternidade, Miá Mello emenda uma frase em outros incontáveis períodos, num discurso longo, com poucas pausas, movido por uma sucessão de exclamações e interjeições e suspiros. Mãe de Nina, de 10 anos, e Antonio, de 2, a atriz não economiza palavras ao discorrer sobre o tema. Ela gosta que seja assim:

— Vivo, respiro e falo disso o tempo inteiro — admite a paulistana de 38 anos, que estrela o espetáculo “Mãe fora da caixa”, a partir desta semana no Teatro Fashion Mall, na Zona Sul do Rio. — Finalmente, vislumbrei a possibilidade de colocar para fora tudo o que sinto acerca dessa temática. Morreria sufocada se não fizesse essa peça.

Inspirado no livro homônimo de Thaís Vilarinho , o monólogo com produção do ator Pablo Sanábio acompanha as memórias e os pensamentos de uma mulher, mãe de uma criança de 7 anos, às voltas com a possibilidade de uma nova gestação. Na ficção, a trama com ares cômicos ganha forma a partir das dúvidas e das angústias surgidas ao longo de cinco minutos de espera no banheiro, enquanto o teste de gravidez não aponta um resultado.

A atriz Miá Mello Foto: Andre Wanderley / Divulgação
A atriz Miá Mello Foto: Andre Wanderley / Divulgação

Vida e ficção misturadas

Misturam-se à dramaturgia experiências pessoais de Miá, casada há seis anos com o diretor Lucas Melo . Em determinados momentos no tablado, inclusive, a atriz se despe da personagem e assume a própria pele, ao relatar histórias marcantes em sua trajetória como mãe:

— Acho lindo quando acontece essa costura com a vida real, e o público fica na dúvida sobre o que é mesmo realidade ou não.

Ela faz questão de lembrar uma série de dificuldades e fracassos, hoje vistos com bom-humor (“apesar de na hora eu achar tudo bem trágico”, contemporiza), como quando viu o filho derrubar um aquário de uma estante na casa de uma amiga — “A gente correu para salvar os peixes, pegando eles do chão e colocando-os num copo”, relembra — ou quando, mais recentemente, assistiu ao filho se perder num aeroporto:

— Dessa vez, foi tenso. Estávamos na fila do check-in, e eu só falava: “Antonio, fique perto da mamãe”. Depois de meia-hora de espera, ele já estava inquieto, e aí foi se afastando. Atrás de mim, uma senhora me disse para ter mais atenção. Respondi que a criança era meu filho, e eu mesma cuidava dele. Quando olhei novamente, Antonio estava sumindo de minha vista. Tive que sair correndo. Foi humilhação total — recorda, aos risos, acrescentando novos pensamentos ao discurso:

A atriz Miá Mello Foto: Andre Wanderley / Divulgação
A atriz Miá Mello Foto: Andre Wanderley / Divulgação

— Para mim, é libertador dizer que ser mãe também cansa. Cansa muito! Mas parece que ainda temos medo de falar isso… Por quê? Eu mesma digo isso agora, nesta entrevista, para depois pensar: “Ai, será que vão achar que não sou boa mãe?”. Está enraizado na gente o fato de termos que falar que os filhos são ótimos, lindos, maravilhosos e que trazem muito amor, muito orgulho e que movem descobertas. Sim, eles são tudo isso. Mas também geram muita angústia, muito cansaço, muito choro.

Miá ressalta que a dramaturgia não sustenta uma tese pronta acerca da maternidade. A proposta do texto é desnaturalizar as habituais listas de regras relacionadas ao tema, com referências a dúvidas que surgem após o nascimento do bebê, às transformações da vida sexual das mães e aos pré-julgamentos.

Miá Mello com o filho Antonio Foto: Reprodução / Instagram
Miá Mello com o filho Antonio Foto: Reprodução / Instagram

— Cada um vive do seu jeito, na forma que mais se encaixa para si. Não à toa, jamais me coloco nesse papel de alguém que dá dicas. Depois de ter meu filho, diziam: “Ih, não pode ninar muito o neném no colo, porque aí o bebê não te larga”. Sim, tá ok, mas aí vou segurar a criança onde?! Não dá para levar as afirmações como verdades absolutas. É preciso dosar as informações — frisa a atriz, que fez o curso para mães grávidas durante a primeira e a segunda gestação. — Pois é, ainda assim, adoro essas coisas. E o fato de eu e meu marido termos criado Antonio e Nina sozinhos aqui no Rio (a família dos dois se divide entre São Paulo e Bahia) , aflorou ainda mais essa questão. Por aqui, o nosso “sextou” virou um “segundou”. As nossas segundas-feiras, quando as crianças vão para a creche, são os dias maravilhosos.

Fonte: O Globo

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Editor GDS

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